Bisa

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Essa na foto é minha bisavó paterna. Ela não conheceu as redes sociais, talvez nem gostasse de ter sua foto exposta aqui. Ela não conheceu as ânsias modernas, tinha questões muito práticas da vida para se preocupar. Passou por muita coisa, pelo que ouvi das suas histórias… coisas que eu não sei se daria conta.

Ela não me conheceu, mas faz parte de mim. Ela criou uma linhagem de mulheres fortes, que nem sempre acertam ou sabem o que estão fazendo, mas caminham com os próprios pés e vão adiante. Ela foi vítima de uma sociedade machista, da romantização de vivências matrimoniais nem sempre saudáveis. Foi uma sobrevivente, uma lutadora… provavelmente tinha um monte de defeitos, mas o que herdamos através da sua história foi sua força, sua coragem.

Bisa, confesso que estamos meio perdidas aqui. O mundo mudou muito desde a sua partida, e tenho certeza que suas histórias me ajudariam a entender um pouco sobre como tiramos ferramentas de nossa própria realidade para nos guiarmos nas noites escuras de angústia. Mas sou grata por esse DNA guerreiro e independente que você me legou. Sou grata pela oportunidade de, enquanto feminista, poder olhar para trás e ver que você não dependeu de termos acadêmicos e modernos para se movimentar enquanto mulher nesse mundo. Bisa, a gente tá tentando aqui. Dizem que, uma vez pessoas comuns e anônimas, não temos direito a uma história que sobreviva ao tempo. Mas a sua sobrevive na minha gratidão.  E eu a deixo registrada em texto para não esquecer de onde vim.

 

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