Brigadeiro (conto)

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Hoje eu fiz brigadeiro.

Porque às vezes é necessário admitir que não está tudo bem. É preciso se permitir ficar de pijama e não querer sair da cama. É preciso deixar a tristeza que está rondando há um tempo vir e tomar seu lugar. Às vezes a gente só tem que se acolher, perceber que não dá pra ser força o tempo todo nem fingir que tá tudo ok.

Hoje eu fiz brigadeiro porque às vezes isso é tudo o que a gente consegue fazer por si. Porque nos simbolismos loucos da psiquê, isso pode ter o efeito de um abraço quentinho e uma palavra de carinho da gente pra gente mesmo.

É difícil ser muralha sempre. A vida ensina a dar conta, mesmo que na marra. Mas tem dias que são mais chuvosos dentro da gente… Não tem chá nem planos ou imaginação que dê conta por si só.

Então eu fiz, e sei que nem gosto tanto assim de brigadeiro. Tá lá aquela panelada de doce no fogão, esperando as colheradas. Mas não importa… O que importa é que precisava ser feito pra deixar a vida mais doce. Só hoje.

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Dela

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Ah, ela… essa mulher que não sabe ser pouco. Ela atravessa tanta coisa com o olhar, mas é muralha pros olhares desatentos. De fala suave, até parece calmaria, tempo bom com brisa marítima… Não se engane: ela te distrai com a visão do barco, enquanto seus sentimentos são o mar profundo e denso por baixo dele.

E tanta gente gosta da ideia do que ela representa, mas quem dá conta de arcar a realidade do que ela é? De lidar com essa intensidade que só se apresenta pra quem tiver coragem de transpassar o medo de estender a mão e segurar, e não soltar mais?

Talvez quem se arriscar perceba que há tanto que ela não diz, porque muito do que sente não pode ser traduzido na linguagem do mundo. Porque tem coisa que só pode ser entendida do lado de dentro, e ela não deixa quase ninguém entrar.

E enquanto você acha que ela olha para o nada apenas admirando a paisagem, tempestades se formam e dissipam em seu íntimo, e ela vagueia por eras, vai à lua e volta, e esbarra em todos os sentimentos do mundo, só pra voltar com um pouquinho de cada um deles na curva do sorriso.

Saudade

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Tem momentos em que a saudade vem em forma de música, tem momentos em que ela vem em forma de texto. Mas tem momentos, e são só alguns, em que ela vem em forma líquida e escorre pelos olhos.

Tem horas que eu ignoro, finjo que não tá lá. Tem horas que me ocupo, faço planos, parece que tudo tá bem. Mas tem horas que a realidade bate, aqueles em que tomo consciência que o abraço não vem, e só dói.

E tem aquele dia em que eu bebo pra esquecer e você aparece, e eu posso te ver e te sentir por segundos… Esse é o dia que dói mais, porque você está lá, mas não está aqui. Esse é o dia em que a saudade transborda. E não tem como segurar.